Caio Carrara Trabalhando principalmente com Python, Java, HTML, CSS e Javascript. Hora ou outra me arrisco no empreendedorismo. Quando não estou programando ou estudando estou treinando, andando de bicicleta, jogando meu 3DS ou assistindo um filme.
Published

Sun 24 November 2013

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[Off-Topic] A vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos

Life is what happens when we are making other plans.

Procurei pela Internet o autor dessa frase e aparentemente a mesma foi dita por John Lehnon. Independente de quem realmente a disse, eu a vi pela primeira vez na apresentação do @henriquebastos na Python Brasil[9] (você pode assistir a palestra toda no YouTube).

Estou começando o primeiro post dessa nova fase do meu site/blog citando a apresentação do Henrique pois foi ela o estopim para uma efetiva mudança na minha forma de pensar e consequentemente agir. Aliás, gostaria de pedir licença ao Henrique para citar trechos da palestra, pois acredito que vão me ajudar a descrever alguns sentimentos e percepções que venho tendo.

Desde que entrei para o "mercado de trabalho" eu venho percebendo que alguma coisa errada não está certa. Eu trabalho há relativamente pouco tempo como desenvolvedor de software e, dentre os empregos que passei, invariavelmente acabei me frustrando em determinado momento em todos eles. Isso já é motivo para uma longa reflexão e saber onde está o problema é uma tarefa que venho fazendo diariamente. Mas enquanto não consigo chegar à uma conclusão, na palestra do Henrique ele descreve algo que é muito ilustrativo para o que eu acabo passando: "o programador arruma emprego e passa a programar qualquer coisa que lhe é ordenado". Não obstante, ao programar indiscriminadamente qualquer coisa, o programador acaba vendendo o próprio tempo e seu potencial de realizar uma tarefa - programar. E o ponto crucial desse dilema é que ao utilizar o seu próprio tempo para fazer coisas que possuem significado para outras pessoas (incluindo fazer coisas que você gosta), o indivíduo obrigatoriamente perde o próprio tempo para fazer coisas que tenham significado para ele mesmo.

Eu acredito que nossas concepções, ideias, opiniões e percepções de mundo e de nós mesmos são construídos constantemente com as experiências que vivemos. Se tomarmos como premissa que a vida é o que acontece enquanto planejamos outras coisas, nossa consciência é construída enquanto pensamos em outras coisas. Estou dizendo isso pois ultimamente venho, de alguma forma, encontrando certo relacionamento entre esse modelo de comercialização do tempo do indivíduo com uma coisa chamada Filosofia do Tédio e ausência de significado pessoal. Basicamente, ao trabalhar o indivíduo utiliza o próprio tempo para viver momentos sem significado essencial - e não comercial - pra si próprio. Com isso perde a capacidade de identificar o que faz sentido, ou o que tem significado pra si mesmo, pois está doutrinado a viver sem sentido. Sua própria existência perde significado e causa o tédio (frustração). Não quero me alongar muito nesse ponto, mas se pararmos para pensar vamos perceber que nossas vidas são construídas a partir de momentos sem significado pra nós mesmos como indivíduos, somos apensas levados pela maré.

Quem, nesse ponto, estiver pensando que o conceito do salário é suficiente para trazer satisfação, perceba que somente o salário não é o suficiente (e não sou eu que digo, basta uma análise rápida sobre salário x felicidade). O Henrique Bastos fala muito bem sobre essa comercialização da hora de trabalho e do salário:

Vender potencial de programação não é um bom negócio. Você está limitado à hora. A hora está limitada à percepção do mercado, que é commodity. [...] o salário sempre vai ser o mínimo necessário para se pagar para alguém fazer alguma coisa sem encher o saco. Então o salário nunca é um "salário justo", um "salário legal", um "salário bom". Bom salário não existe! Existe boa distribuição de dividendos, mas bom salário não existe, porque está sempre para o mínimo possível. Então é bom comparado com os outros. Está olhando para baixo, não para o todo.

Não tenho a menor pretensão nesse post de encontrar a solução para esse problema. Porém, relacionado à isso, aconselho fortemente que assistam pelo menos o começo dessa paletra do @viniciusteles: De empregado à Empregador. Eu ouvi essa história que ele conta já faz um tempo em uma outra apresentação dele e talvez seja uma forma de encarar a vida: encontrar formas de se sustentar sem, necessariamente, usar o tempo diretamente para isso. O próprio Henrique Bastos fala sobre isso na sua apresentação, acho completamente válido. Posso dizer que, atualmente, esse é meu objetivo de vida.

Quando entramos nesse processo de reflexão, no entanto, corremos o risco de pensar demais e nos estagnarmos em uma pseudo preparação para o amanhã. Infelizmente, ou não, eu tenho uma característica de ser demasiadamente analítico e acabo perdendo diversas oportunidades de agir enquanto penso; o que me faz perder a minha própria vida. Sou mais um no time do cagaço que o Henrique menciona :).

É na tentativa de mudar esse jogo que estou revendo alguns conceitos e, mais uma vez, vou tentar mudar a forma como vivo. Quero entrar no Lifestyle Business do Henrique e encontrar formas de, com base no meu conhecimento, me colocar à serviço da comunidade e fazer coisas que tenha significado para mim, enquanto indivíduo, que resolvam problemas da comunidade e viver cada vez mais fazendo isso. Até hoje o que eu busquei foi simplesmente vender o meu tempo em troca de dinheiro, mas isso não é o suficiente para mim.

Visando as mudanças que eu quero realizar na minha própria vida e compreendendo que as coisas devem seguir um balanço dinâmico para serem construídas, eu já venho realizando alguns pequenos passos. Aqui vale ressaltar que qualquer que seja o caminho que alguém queira tomar na própria vida, é de crucial importância que os fundamentos estejam muito bem claros e definidos. Particularmente eu tenho diversos, alguns deles agora fazem parte do Small Acts Manifesto, o qual convido todos a conhecer.

Como eu disse, a minha característica é o de pensar demais e fazer de menos, então nesse primeiro momento estou tentando fazer mais. Seguindo o Faça! do Small Acts. Não somente fazer, deve haver algum significado. Somente para registrar, pequenos passos que realizei até agora:

  • Github: eu já tinha a minha conta desde 2010 por lá, mas nunca usei pra valer. Passei a usar e subi alguns projetos. Podem não fazer muito sentido, mas estou fazendo. E não estou usando por usar, estou usando pois é algo que gosto e sou apaixonado por fazer: programar. Como resultado estou melhorando minhas habilidades com o Git. Também, depois de muito tempo que conheci Python e Django, só agora cheguei a concluir um crud básico (tem até ajax =P), o meu simple_todo.
  • Twitter: estou começando a interagir mais com o pessoal. Isso vem junto com a minha insatisfação com redes sociais em geral, pois o conteúdo anda muito ruim, logo, vamos mudar isso já! @CaioWCC
  • Blog: reestruturação do meu antigo site. O anterior focava em meus serviços como freelancer (que eu nem fazia mais). Porém o foco agora é outro: compartilhar conteúdo relevante. Então reestruturei o site para ficar melhor ao novo objetivo (aqui vale ressaltar que independente da qualidade do código do Wordpress, é uma bela ferramenta!).

Esses são só os primeiros passos, vamos ver o que vem pela frente!

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